Hoje vou falar aqui de um dos meus pintores preferidos, Joseph Mallord William Turner. William Turner nasceu no ano de 1775 em Covent Garden, no interior da Inglaterra. Logo na infância, o pequeno Joseph teve seu talento reconhecido pela família, que passou a vender suas pinturas. A fama se espalhou e Turner passou a receber diversos convites para desenhar prédios em perspectivas e acabou ingressando como estagiário na Escola de Belas Artes da Royal Academy. Pouco após expor sua primeira obra, foi convidado para associar-se à entidade e logo após acabou montando sua própria galeria, permanecendo como professor da Royal Academy até o ano de 1837, quando pediu demissão. Continuou pintando e viajando pelo mundo, até falecer em Chelsea, no dia 19 de dezembro de 1851.
Turner procurava fazer as perspectivas de suas pinturas com fumaça, neblina, nuvens e sombra, inspirando-se sempre em paisagens naturais, com mares e florestas. Segundo Cyrus Redding, "Turner viu algo no aspecto do mar que ainda não havia sido notado". O pintor se tornou incompreensível para muitos de seu tempo, vezes sendo tratado por impressionista, vezes por expressionista e outras por futurista estético. Entretanto, não ligando muito para a escola que seguiria, Turner mergulhou-se nos estudos sobre a cor, para ele a grande protagonista das pinturas.
A seguir, algumas das mais famosas obras do pintor:
Chuva, vapor e velocidade - O grande caminho de ferro
Em uma viagem que o pintor realizava, teria observado pela janela um trem atravessando uma ponte, identificando-a como sendo a de Brunel, sobre o rio Tâmisa. Fascinado com a imagem, fechou os olhos até memorizar a cena para depois poder colocá-la na tela. Nessa pintura podemos ver a abstração de Turner com relação à forma convencional, mostrando o desapego das formas dos elementos. A pintura foi realizada nos primórdios do Realismo, no ano de 1845.
Pescadores em alto mar / Pescadores no mar
As duas obras foram pintadas no mesmo ano, por isso no mesmo ítem. Tema de diversos trabalhos de William Turner, o mar sempre o intrigou muito e fez com que desenvolvesse suas técnicas de pintura - revolucionárias para a época - como os jogos de luz e sombra que fazia, dando um aspecto único para suas telas. Nota-se que o brilho e a sensação de movimento são fatores únicos e indispensáveis da obra de Turner.
O Grande Canal, Veneza
A primeira visita empreendida por Turner à Itália foi no ano de 1819. Ficou impressionado com o país e pela sua arte, mas o local que o encantou por completo foi Veneza. A forma como a luz refletia nos canais de água que passam pelas ruas da cidade fez com que o pintor visse ali toda a arte que precisava encontrar. Apesar de ser o mas conhecido, esse não é o único trabalho do artista sobre Veneza, tendo pintado ainda muitos outros. Nenhuma das obras sobre a cidade foi exposta enquanto o pintor era vivo.
Dido Construindo Cartago
Turner tinha uma particular afeição por essa pintura, que considerava a sua obra prima. Na redação de seu primeiro testamento tinha indicado como vontade expressa ser sepultado envolto nessa obra. Após abandonar essa idéia, Wlliam nunca a vendeu e deixou-a de herança à National Gallery com diversas condições, de ser exposta ao lado de alguns quadros de Claude Lorrain e outros seus. Por diversas vezes Turner pintou episódios históricos como esse, mas sem dúvida sua obra prima nesse quesito é a obra Dido Construindo Cartado, de ano de 1815.
Roma Moderna - Campo VaccinoRecentemente, essa obra foi adquirida pelo Getty Museum, da Califórnia. Em entrevista à jornais americanos, o curador da galeria, Scott J. Schaefer, não duvida que tenham feito um bom investimento: "Esse quadro supera o próprio Turner, é seu melhor trabalho, um Turner em sua melhor forma".
Alguns trabalhos do paisagista inglês - considerado por muitos como um dos precursores do impressionismo - sofreram com a má conservação. E enquanto, em 2006, a obra Glaucus and Scylla teve ser devolvida pelo Kimbell Art Museum à família que o possuía por motivos políticos; o destinho de "Roma Moderna" é o contrário.
A obra deixa os seus primeiros donos, que a mantiveram em ótimo estado de conservação (um dos motivos para o quadro alcançar tão alto valor), e passa agora a pertencer ao Getty Museum, que fica na Califórnia.
Essas obras que coloquei aqui foram só para mostrar um pouquinho, uma parte mínima, um quase nada do pintor que deixou mais de 19000 telas pintadas e 3000 aquarelas! Fica aí a dica para quem gosta de arte e para quem não gosta, começar a apreciar!




